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Indicação de Leitura - A cabala da comida

Pense em algo que fazemos todos os dias, muitas vezes por dia...Comer, é sem dúvida uma das ações que mais realizamos de forma mecânica e quase não refletimos sobre o que está no nosso prato e sobre o quanto é espiritual o ato de se alimentar fisicamente.

No livro 'A cabala da comida' o autor e rabino Nilton Bonder aborda o tema de forma belíssima, com muita sensibilidade e nos mostra o quanto comer é algo espiritual! Muito mais espiritual que meramente físico. 

Não basta comer casher, não basta dar bracha antes de comer... É preciso ter consciência do que é comer e do que estamos comendo... 

Dentre os pontos que mais gostei neste livro foi o fato do autor incentivar o vegetarianismo, eu sou vegana (não como alimentos provenientes da exploração animal, mesmo ovos leites e derivados,ou seja, minha alimentação é sempre parve), me tornei vegetariana com 17 anos e foi uma das melhores decisões que tomei, já que passei a me importar mais em saber o que eu estava colocando no meu prato, isto me abriu os olhos para muitas outras questões e hoje eu realmente sei amplamente sobre como é importante para nosso corpo e alma alimentarmo-nos de forma consciente e casher! 

O livro também conta com um capítulo do Shulchan Aruch falando sobre alimentação, e muitas orientações realmente importantes para que sejamos mais éticos, sensíveis espiritualmente e saudáveis! 

São 142 páginas de muita sabedoria acessível  a todos nós, o livro não é caro e você pode comprar  muito facilmente em sites na internet, este livro entrou na minha lista de livros de cabeceira porque diz sobre coisas complexas mas de forma prática.

Se você não sabe nada sobre alimentação casher este livro vai te ajudar a comer mais saudável e conscientemente e quem sabe te motivando a estudar um pouco mais sobre o tema, se você já conhece o básico sobre kashrut  ele vai ampliar a sua visão e te mostrar um novo nível de compreensão deixando sua base ainda mais firme e te dando uma boa dose de motivação para comer da melhor forma possível! 

Bem, eu realmente recomendo este livro, ele mudou minha relação com os alimentos e certamente poderá mudar a sua! 


Lehitraot!
Débora C'ruz 

Parashá Vaierá - 5775

Promessas não tem prazo de validade! Ao ler a parashá Vaierá vemos que mesmo depois de uma avançada idade Sarah e Avraham vivenciam a promessa feita pelo Eterno.


Uma coisa interessante para a qual me atentei este ano foi que depois de orarem por Abimelech e seu povo é que Sarah engravida e dá a luz a Isaac..

Segundo o Talmud, Abimelech e seu povo foram atacados com esterilidade, Avraham orou por ele e o povo mesmo precisando que esta cura viesse sobre a sua mulher que também era estéril,  e por rezar por seus semelhantes pedindo algo que ele mesmo precisava o Eterno o abençoou primeiro!

Quão importante é orarmos por nossos semelhantes! Mesmo quando precisamos orar por nossos próprios problemas, devemos sempre reservar um tempinho para orar por aqueles que nos cercam.

Entenda que se vivemos em comunidade (e todos nós vivemos na gigantesca 'comunidade terrestre') quando a vida de uma pessoa melhora a nossa vida acaba também melhorando um pouco, quando alguém se enche de gratidão e luz acabamos tendo um 'mundo melhor' ainda que seja uma pequena parte dele...

Orar é muito importante, não devemos passar nem um dia sequer sem orar, e ao orarmos não devemos ser egoístas e pensarmos somente em nós mesmos, devemos pensar nas outras pessoas, tal como fez Avraham!

Houve uma época onde uma pessoa muito querida (minha amada vó Lea, de bendita memória), não conseguia mais se comunicar conosco ou orar como antes conseguia devido a seu estado de saúde e idade avançada.. Este foi o momento onde minha emunah foi provada, não havia mais chance de melhora, tudo parecia desmotivante, então eu orava por ela e tocava violão para que ela pudesse ainda que no leito se alegrar... Nos últimos dias de vida a vovó estava diferente, estava mais interativa e parecia estar mais feliz.

 As minhas orações não trouxeram a cura pra ela, mas trouxeram dias mais tranquilos, com mais emunah e alegria e é exatamente isso que Avraham avinu nos ensinou, pois quando oramos podemos ou não ter a resposta que pedimos, mas devemos orar mesmo assim, pois as orações sempre são ouvidas e sempre trazem respostas positivas, mesmo quando não conseguimos enxergá-las.

A lição que aprendi com esta parashá este ano foi: Milagres acontecem mesmo quando já não os esperamos mais, devemos orar por nossos semelhantes mesmo quando nós temos os mesmos problemas que eles.


Shalom!

Débora C'ruz.

Sobre ter Emunah em relação a vida financeira.

Estou lendo o livro chamado 'O Jardim da Emuná' escrito pelo Rabino Shalom Arush e tenho aprendido muito sobre o que é realmente ter Emunah (fé)... Por isso, recomendo a todos a leitura deste livro.

Segundo o Rav. Shalom Arush só podemos viver de duas formas em relação ao nosso sustento:

1° Acreditamos que Hashem determina o nosso sustento de cada dia e tudo aquilo que Ele determinar para nós irá chegar até nós, independente da forma, na hora determinada por Hashem o nosso sustento chegará, mesmo que certo devedor não nos pague ou que nossos negócios não rendam como esperávamos... Podemos descansar sabendo que cada centavo que nos 'pertence' irá chegar até nós de alguma forma.

2° Não acreditamos que Hashem possa nos ajudar e nos suprir e por isso vivemos muitas vezes no limite da honestidade tentando ganhar um pouco mais e estamos sempre preocupados com o que será de nossas vidas.

Houve uma época onde eu treinava um esporte urbano chamado 'Parkour', que consistia basicamente em vencer obstáculos e criar rotas alternativas, muitas vezes nas alturas, em espaços que mal cabiam o meu pé inteiro... Era um desafio de equilíbrio... Meu amigo e treinador sempre me incentivava a saltar de alturas desafiadoras, ele ia na frente e dizia que me daria suporte caso eu precisasse, mas que em todo o caso eu deveria vencer o medo ao invés de ficar olhando para a altura e pensando num possível fracasso, pois vencer aqueles obstáculos era completamente possível mas o medo certamente iria me atrapalhar.

As vezes penso que a vida é como um treino de parkour, onde precisamos confiar no nosso 'Treinador' sabendo que Ele não nos colocará diante de obstáculos impossíveis ou muito além da nossa capacidade,mas em todo o caso, se vacilarmos Ele estará pronto para nos ajudar e socorrer!

Vivemos situações difíceis muitas vezes para que a nossa emunah seja testada, somos desafiados a saltar para novas distâncias, atravessar caminhos repletos de obstáculos, mas podemos fazer tudo isso em paz, sabendo que não estamos desamparados...

Por vezes nos faltará chão, mas com o Eterno aprendemos a nos equilibrar.

Pode ser que fiquemos pendurados, mas vivendo segundo os princípios do Eterno iremos ter força para aguentar o tempo necessário até que possamos novamente ficar de pé.

A pessoa que acredita na provisão divina não precisa se desesperar frente aos obstáculos, ela pode passar por eles e ao final se tornar alguém muito melhor, com experiências únicas para compartilhar...

A pessoa que não acredita na provisão de Hashem tentará encontrar seus próprios caminhos, tentará a todo custo evitar as grandes e desafiadoras alturas cheias de obstáculos e por isso viverá se rastejando e se espremendo por entre os caminhos lotados de pessoas que não tem visão...

Visão! É este o ponto chave: Quando eu estava andando sobre os muros, escalando árvores e saltando por entre os obstáculos eu tinha uma vista privilegiada, eu podia ver de cima o que as pessoas jamais veriam andando normalmente... E talvez, seja exatamente assim, quando confiamos que o Eterno nos guia por entre caminhos cheios de obstáculos, porém muito mais elevados do que os caminhos dos homens que vivem longe da Torah e então podemos perceber todas as reais belezas da vida...

E quando percebemos a vida maravilhosa que temos, nenhuma dificuldade importa, os medos não mais tem lugar em nosso coração, as reclamações não fazem mais sentido... Mas só consegue ver toda essa maravilha quem se arrisca a viver confiando passo a passo na provisão, sustento, cuidado e amparo de Hashem...


Shalom chaverim vchaverot!

Débora C'ruz


"E disse D'us"

Ao lermos a história da criação percebemos que o mundo é criado pela fala de D'us... E como nada é por acaso podemos aprender que a fala exerce influência sobre a matéria!

A nossa fala, as palavras que pronunciamos tem uma grande força pois elas nos conectam com o mundo, gerando uma energia maior do que podemos imaginar, por isso os mais sábios (principalmente os nossos avós) nos ensinam que não devemos ficar falando coisas ruins, palavras de maldição, tristezas e doenças... E por essa mesma razão não recitamos palavras santas em lugares onde não há santidade. Nossas palavras tem potencial criativo e potencial destrutivo, não devemos esquecer disto.

Logicamente aquilo que pensamos também exerce influência sobre a matéria, mas enquanto estamos apenas pensando tudo ainda estará sobre nosso controle mas a partir do momento em que falamos o que estamos pensando tudo muda, pois a fala revela a nossa alma ao mundo... O que pensamos e desejamos deixa de ser segredo... Devemos pensar muitas e muitas vezes antes de falarmos, nossa fala cria muitas vezes decretos sobre a nossa vida.

Há um provérbio que diz que 'aquele que guarda a sua boca e língua guarda a sua alma de angustias' (Provérbios de Salomão 21.23)... E por toda a história vemos como palavras podem exercer grande influência sobre o nosso mundo físico e sobre o mundo espiritual, por isso devemos nos empenhar com muito afinco em estar sempre falando coisas boas, antes de comermos devemos recitar a bracha para cada alimento, sempre que possível devemos falar das palavras da Torah, recitar os tehilim... Pois essas palavras transformam a nossa vida tanto no que diz respeito ao que está acontecendo interiormente como aquilo que está ao nosso redor.

Deixo dois vídeos que mostram de forma clara o poder das palavras... Que nos sirvam de lição. =)







Parashá Bereshit - 5775

Reflexão feita sobre a parashá Bereshit. 

As grandes perguntas existencialistas da humanidade questionam: 'Quem eu sou', 'De onde vim' e 'Para onde vou'... Nesta parashá temos a resposta para estas perguntas, e se por alguns instantes conseguirmos entender o que está nas entrelinhas da criação saberemos ainda qual é a nossa função neste mundo. 

Quem sou eu?! Eu sou pó, mas também sou sopro divino! Sou um recipiente físico que contém uma essência espiritual! 

De onde eu vim?! Eu vim do pó da terra, mas também vim dos 'pulmões' do Eterno! Vim da terra, mas também vim dos projetos de D'us...

Para onde vou?! Parte de mim voltará para a terra cumprindo o que foi dito no Gan Éden por consequência da queda, mas a minha centelha divina, aquele sopro que chamamos de alma, voltará para o Eterno!

Dizem os sábios que tudo o que é criado primeiro é comandado pelo que é criado posteriormente... O ser humano foi a última criação divina e por isso potencialmente pode governar todas as outras criaturas, desde que ele esteja vivendo de acordo com as leis estabelecidas pelo Eterno.

Quando o Adam e Chavá foram expulsos do Gan Éden D'us diz que o homem precisará trabalhar a terra para obter sustento. Em uma leitura mais atenta e reflexiva podemos entender que ao mandar o homem trabalhar a terra o Criador estava falando sobre trabalhar a essência, pois o homem é essencialmente pó da terra!

Devemos trabalhar a nossa essência, só assim poderemos nos elevar a ponto de gerarmos bons frutos nesta vida!

Esta 'terra' que somos, produzirá muitas vezes espinhos, precisamos então, cuidar da nossa mente e coração para que não venhamos a nos ferir e a ferir a outros que nos cercam. A preguiça, o orgulho, a raiva, a inveja... São espinhos que crescem em nós, e ao percebermos que estes sentimentos estão despontando em nosso ser precisamos trabalhar mais a terra!

Quando Adam e Chavá estavam no Gan Eden eles tinham poder sobre as outras criaturas, mas por desobedecerem ao Criador eles não mais poderiam viver plenamente aquele poder outrora recebido... Mas ainda hoje, quando uma pessoa se volta ao Eterno e cumpre a Sua vontade ela consegue não ser dominada pelas outras criaturas, nem mesmo os astros do céu irão comandar seu 'mazal'!

Durante a reflexão sobre esta parashá, neste ano tirei por lição que devo aprender a trabalhar mais a minha essência, dando preferencia para as questões espirituais, pois até na criação o céu vem primeiro que a terra... mas se como foi dito antes, o que vem depois exerce poder sobre o que vem antes, então devo me esforçar ao máximo para que minha vida física esteja sempre alinhada com os meus anseios espirituais, pois a intenção deve ser acompanhada de ação.


Shavua Tov Chaverim vChaverot!

Debora C'ruz